terça-feira, maio 23, 2006

eu acredito no semáforo


O subdesenvolvimento do Brasil está nas pessoas desrespeitarem o farol pra pedestres. O total descumprimento com a luzinha vermelha que proíbe a travessia de uma rua apresenta toda a filosofia que nos permite classificarmos como um país de 3º mundo. Porque é desse fato aparentemente banal que identificamos nossa natureza ogra; sem regras; primitivos em nosso comportamento.

Não cumprimos nossas regras. Com as mais variadas desculpas, fugimos da responsabilidade de aceitarmos as condições por nós mesmos estipuladas. E inventamos desculpas tão consistentes que acreditamos nas mentiras e ficamos com a mentalidade tranqüila em nossas infrações.

Quando temos lei, ou sinalização, é feita nas coxas; sem a devida pesquisa. As placas seguem a regra do criolo doido; os postes são colocados aleatoriamente, e as pinturas são realizadas sem nenhuma lógica aparente. Em suma, a total ineficácia do sistema.
E por termos a consciência que nossas ruas não tem faixas, que as estradas são tortas e que as leis são escritas por analfabetos, simplesmente ignoramos sua existência.
Nos posicionamos acima destes defeitos, acima das redações imprecisas das leis, das obras superfaturadas, porém subvalorizadas, da admistração pública. Em nosso pedestal, nada disso importa, pois estamos livres de todos, soberanos de julgamento, prontos para inventarmos o que quisermos pra não pagar uma multa, construir sem considerar os regulamentos do urbanismo, ou furar um sinal à noite.

A conseqüência? A inexistência de garantia, de segurança, de civilidade. E quando somos presenteados com uma avenida sinalizada, desconhecemos e não nos importamos com aquele sinaleiro especialmente colocado encarando aqueles que estão à pé; E com todos nossos vícios de conhecimentos, taxamos o aparelho de ‘luxo’, e continuamos a atravessar a rua quando ‘achamos que dá tempo’. E nisso segue: o motorista não vê as faixas brancas, os pedestres tampouco e o caos se estabelece no centro da cidade.

Nação sem regras, que não respeita as poucas que tem e faz de tudo para atravessar a rua fora da faixa.

5 comentários:

janna maria disse...

pois é, concordo completamente. e escuto essas mesmas reclamações todo santo dia durante todo o percurso que faço dentro do carro... do meu marido!!! existem algumas cidades que chegam ao cúmulo de quase não existir sinalização.. e vc ouve dos cidadãos: - olhe, onde não tem placa é que pode fazer qualquer coisa!!! O brasil está mesmo longe de ser uma grande nação...

g. disse...

Não acho que o problema esteja no Brasil, nos brasileiros ou seja condicionado à países em desenvolvimento. O desrespeito e o egocêntrismo são condições humanas e universais.
Tenho minhas dúvidas quanto a legislação (e depois da minha monografia de conclusao de curso dexei de acreditar nela como um todo). Acredito que não seja necessariamente um problema de conteúdo, mas de forma. E de motivação. A lei é criada a partir de um jogo de interesses tão grande e contundente que fica difícil de ser bem feita. E ainda, na maioria dos casos, o texto é tão mal formulado que abre um leque imenso de dúvidas e interpretações (e por isso que nós - "estudantes da lei" - temos emprego...).
Enfim, não serve jogar a culpa nesse ou naquele. No fim você acaba fazendo igual é atropelado por um motoboy.
Gostei do texto....

fernando disse...

Credo André!! Bateu o carro?? atropelou alguém?? hahahaha
De fato vivemos em meio a um caos, mas não só no trânsito... Acho que a vida é um caos como um todo, e aí tá a adrenalina da coisa toda!! :D


Ah, mão fale mal das motos, g.!! Motoqueiros apavoram!! hahaha

g. disse...

tava falando mal de mim mesma...

seventowers disse...

Eu não dirijo, mas achei interessante estes kanjis na placa. Bem acho que o problema se resume na maldita lei de gerson, minúsculo de propósito, contrário a filosofia, todo homem age como se fosse uma ilha, e sempre quer ser o primeiro ou tirar vantagem da situação de alguma forma. A impunidade e a máfia dos departamentos de trânsito contribuem bastante, pq na real não há uma educação de trânsito e sim um mercado de comercializar multas. Mas o pior é concluir o ser humano não aprendeu a enxergar o outro, este é o maior problema na minha opinião.