domingo, junho 17, 2007

trilegal



Os blockbusters desse verão são, até agora, as trilogias. Emo-Aranha, Piratas do Cabide, Shake Terceiro (sobre a quantidade abusiva de merchas do filme, que criou até um cardápio exclusivo no McDonald´s).
Mas as trilogias não se restringem às telas de cinema. Nas bancas, chegou a terceira leva de histórias interligadas (antes em dez. 2005 e mai. 2006). Trata-se da interrelação genial entre as 4 primeiras histórias dos principais gibis da Turma da Mônica (Cebola, Casca, Maga e Mô).
Tive sorte de lê-las na seqüência abaixo, e foi a que menos entregou as surpresas desta super-trama, e fez com que os acontecimentos ficassem não-lineares, porém complementares.
O gibi do Cascão foi o ponto de partida. Nos primeiros quadrinhos as gargalhadas imperam. De surpresa à ação, de declarações empolgadas às lagrimas e mais ação: tudo isso só na primeira página! O drama apresentado pelo Cascão é facilmente reconhecível por todos: achar o presente ideal para uma aniversariante. A forma de como suas opções são eliminadas, com a participação de secundários, é hilária. A aventura evolui e sentimos a pressão pelo esgotamento de tempo e de dinheiro do protagonista. A surpresa final é inesperada e divertida e a moral distorcida, perfeita. As empolgações, sobretudo do Cascão, e o nonsense são um capitulo à parte, além da "ponta" do Emerson.
O Cebola sofre nas mãos de Xaveco. História de confusões entre um garoto xereta (Xaveco, em interpretação digna de Oscar) e o Cebolinha, que só cai nas frias do amigo. O Xaveco é um sem-noção sacana, mas é um dos personagens mais humanos da Turma. Ele erra, é mal interpretado, e só faz besteira. Talvez por isso tanta discussão em nome do rapaz: somos todos meio Xavecos. O Cebola estrassadão também consegue nos trazer um sorriso nos lábios em cada entrada. É a mais curta e a menos "relacionada", porém com o maior Caos.
A da Magali é magia pura. Fantástica, com traços à lá Will Eisner. Consegue mesclar elementos da literatura infantil clássica com elementos mauricianos, entregando um produto final completo e complexo. O resultado é criação de um mundo próprio, de realidade paralela, da fantasia e imaginação. Como diria David Cronenberg, um filme (neste caso, uma história em quadrinhos) determina seus parâmetros e após determinados estes, a história deve respeitar os limites e jogar de acordo com as regras. O mundo da imaginação não significa que tudo é possível, mas mais como as coisas acontecem neste universo paralelo; como as histórias se desenvolvem e como as personagens lidam com as situações desta realidade. E criar mundos, ações e personagens coerentes, complexos e interessantes, é algo difícil e raramente atingível; esse gibi é peça rara. Consegue atingir tudo isso, e com mestria. Os personagens funcionam, a fantasia é incrível, e tudo funciona em tempo certo.
Por último, a gorducha. A dentuça tenta convencer Denise a celebrar sua data. História de diálogos entre dois personagens, mais parada e textual, o que causou um certo descontentamento com essa que é a história que “amarra” as demais. Discordo. Esta impera entre as melhores de todos os tempos. Apesar de focado na conversa entre as garotas, há muito movimento, e as expressões faciais estão em seu melhor momento. Aliás, temos uma dupla de personagens completos e redondos (a Mônica dispensa comentários, hehe). O texto, que é o grande destaque aqui, é digno de estudos em pós-graduações.Tive professores que deram aulas com palavras menos elaboradas do que Denise, e com idéias similares ao de seus argumentos de não comemoração do dia de aniversário. Foi a história ideal pra fechar os elos com os outros gibis, e terminar a trilogia em alto estilo.

4 comentários:

g. disse...

ahhhh eu gostei bastante do veggie burguer!

André disse...

André, por coincidência li as histórias na mesma ordem que você e concordo com tudo que você falou, as histórias e os desenhos estão magníficos!!!

Algo Imaginário disse...

Hummmm...fiquei curiosa agora.
Bjs
=)

Monique disse...

De curiosa fui lá na banca e comprei os quatro...devo dizer que seu post foi o "trailer" de um filme que não foi tudo aquilo. A história da Magali é a melhor, e só. Desculpe a franqueza mas deveria ter ficado só com o post mesmo...sorry!!!!!
Bjs