sexta-feira, agosto 15, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
why so serious?
Qual a graça em matar ícones, destruir heróis, acabar com a imaginação?
Talvez por isso The Dark Knight destaque tanto um vilão que passa o filme todo querendo acabar com a moral da vida mascarada de Bruce Wayne.
Wayne tornou-se um milionário boçal e arrogante, sem motivação ou estímulo para ação (tendo que encontrar em seu mordomo a auto-ajuda necessária para tocar o barco e vestir a máscara na meia noite).
Heath Ledger mandou muito bem como Coringa, tirando de cogitação comparações com Nicholson. Seu visual está à altura de sua interpretação. Porém, não vejo uma definição de seu personagem: ele não se diverte com suas proezas, e muito menos não NOS diverte (salvo na cena do hospital, um dos raros momentos de humor do filme).
A maior influência para este vilão é o palhaço de Jogos Mortais. Não só esteticamente, mas pelas cenas de sofrimento alheio em virtude de situações esquematizadas por um doente, onde supostas escolhas "difíceis" ou determinantes colocam a moral/razão em cheque ( como nas fitas de torturas e no drama do navio).
Na primeira vez que vi, a "batmoto" se mostrou interessante, justamente por ser um elemento não "real" na trama. Mas, por mais que simpatize com as impossibilidades de fazer uma curva com a motoca, ainda falta nela o elemento morcego; não há nenhuma identificação com o protagonista. Esse trambolho de duas rodas poderia ser dirigido por qualquer um da rua: não é item do bat-cinto. Troque a imagem da cara do Batman pela cara da Mulher Maravilha e a moto será uma Moto-Maravilha-Modernosa.
Também falta criatividade pro Duas-Caras. Eta personagem feio! Não por ser um freak, mas por ser uma imagem desagradável aos olhos. Não é "real", é feia. Não é impactante, não diz nada, não tem a menor função. Chata.
Patético também é o momento onde Batman toma a pílula azul e vira Neo (vê além das paredes). Um Matrix tosco e confuso.
Essa falta de empolgação com o Batman, seja pelo visual genérico da cidade - Gotham continua sendo uma Boston e até aquela cidade chinesa fica mais interessante - seja pelos brinquedos não exclusivos, resulta num filme não Batman; até mesmo sem créditos iniciais para criar clima. No fim das contas é um filme policial qualquer.
sábado, julho 26, 2008
susto
No meio de 15 dias de férias recebi uma ligação de que meu perfil no Orkut estava com nome e foto alterados.
Por um segundo, vi minha vida online passar pelos olhos.
Depois de alguns dias fora, agora já está tudo em seus devidos lugares. E hoje recebi esse recado da equipe Google:
"Your account may have recently been impacted by a bug that affected your profile. Our engineering team has resolved this issue, and your profile has been restored. If you're still experiencing problems with your profile, please click "logout" and sign back into your account. At no time was your login information at risk. Your safety and security on orkut are a priority for our team. If you have further questions, please visit our help center or user group."
Ufa!
quarta-feira, junho 18, 2008
delírio em las vegas
Medo e Delírio em Las Vegas é uma viagem. Um mergulho em alucinações numa cidade-fantasia na década de 60.
Se hoje Las Vegas é um amontoado de hotéis-corporações, há 40 anos era uma cidade quase mística, um playground onde os limites mudavam de acordo com a imaginação, criatividade e nível alcoólico do turista.
São páginas de piras de um alucinado em mais de duas dezenas de drogas possíveis e imagináveis.
As transcrições dos pensamentos do chapado lembraram muitos textos de blogs, com pequenas observações sobre personagens estranhos, acontecimentos dignos de nota e outros nem tão relevantes assim.
Os efeitos das substâncias em que o protagonista é exposto são descritos com precisão e raciocínios absurdos são colocados com lógica e ao terminar os capítulos fica a dúvida se estamos sóbrios ou se aquilo foi escrito mesmo.
domingo, junho 15, 2008
um dia na história
Fernanda Takai escreveu sobre o poder hipnótico que sua filha traz aos olhos da mãe-autora; são dezenas de horas destinadas para contemplação da pequena, e logo após "sair de seu momento de observação", o tempo passa muito rápido.
Já se passaram vários dias do Monicontro, evento que esbocei, e que com ajuda de Murilo e Renato, consegui tirar do mundo das idéias e transformar num sábado inédito. Depois desse dia, o tempo voou.
O Monicontro foi sucesso de público - lotou a Sala Scabi, superando as mais otimistas previsões. Foi notícia nos sites especializados, jornais locais, rádio FM, TV.
As palestras rolaram bem, a apresentação do Rafa foi simpática e deu unidade, o vídeo de abertura, editado pelo Bruno, ficou tão bom que teve que ser repetido várias vezes durante o dia (pedido da platéia). A segunda edição do Quizz divertiu e o Concurso Cosplay foi uma surpresa visual pela empolgação dos envolvidos e qualidade dos adereços e fantasias.
Ganhei um prêmio exclusivo e lindão: o Troféu Capitão Pitoco: vale mais que qualquer Oscar tosco!
Obrigado para Samira e Munick, que cuidaram das barraquinhas de exposição dos brinquedos antigos e gibis raros (bem raros, um verdadeiro deleito visual fornecido por Paulo Back). Os sebos participantes venderam gibis feito água.
Fui uma tarde MUITO bonita.
Fora o evento, Corpus Christi foram dias de encontros. Ícones tranformaram-se em melhores amigos durante um curtíssimo período de tempo. Uma união de pessoas totalmente distintas, mas com um interesse em comum.
Passaram-se dias, e por alguns cantos da cidade ainda encontro cartazes perdidos, imagens em desquetopes do trampo e de casa.
Hoje só penso numa agenda para o segundo semestre de 2008. Mas minha agenda agora senta ao lado de uma enorme satisfação e orgulho.
sexta-feira, maio 16, 2008
Mutante Calado
Histórico saudosista, Carlos Calado é fã do trio Mutantes. Seu livro não é uma descrição completa da saga mutante, mas é uma pesquisa essencial para chegar mais perto dos dias em que Mutantes dominavam a terra. Anos em que o experimentalismo era de fato original e que o resultado não era uma tortura apresentada apenas à amigos.
Amizade, aliás, era o que unia esse grupo. Talvez fosse a criatividade. Sem dúvida foi a coragem. Enfim, independente do que unia, o resultado é que Sérgio, Arnaldo e Rita conseguiram uma conexão cósmica capaz de produzir algumas das músicas de rock mais impactantes já feitas no Brasil. Músicas, aliás, ainda elevantes, relevantes e impactantes.
Os Mutantes sabiam o que faziam, como faziam. Não se levavam a sério, aproveitavam seus momentos criativos com gosto e alegria. O humor, os elos, as pesquisas, e sobretudo a vontade e preocupação de fazer algo realmente próprio; de apresentar músicas como eles pensavam, como queriam, mandando às favas qualquer lógica ou preceito.
O livro termina com a esperança de que esse grupo volte a tocar. Demorou mais dez anos depois do livro ser originalmente lançado. Mesmo assim, sem a vocalista original nos microfones. E Carlos Calado faz com que mais um entre para sua torcida. Depois de saber detalhes de um grupo que enfrentou multidões em festivais para apresentar um sonho tão esquisito como apaixonante, é difícil não ficar na torcida de sua volta e numa nova sacudida na cultura atual.
quarta-feira, maio 07, 2008
Virada Cultural 2008
A determinação espacial na definição cultural é a chave para criar a complexidade de referências e profundidade de sensibilidades.
De sábado, 26, à domingo, 27, aconteceu uma das maiores manifestações culturais simultâneas da paróquia.
Não foram só varios shows montados para vender ingresso e bebidas a preços exorbitantes (sem entrar no mérito de ser um evento organizado pela prefeitura em ano eleitoral).
Foi um mergulho. E diferente de entrar num tonel de água ou tinta, materiais que sabemos o que vai acontecer ao meter a cara, não tinha como prever como seria passar essas horas no centro de São Paulo.
Os shows eram mais previsíveis. E funcionaram com uma precisão invejável.
Mundo Livre S/A e Vanguard foram esquentas. Distantes, nada marcante. Talvez pelo palco, pelo horário ou empolgação.
Disso prum gigante que empolgou e comoveu. Gal gritou, pulou, e deixou o clima super caseiro. Mestre, a seleção musical foi cantada com gosto de quero mais. Costa causou tumulto e teve um dos momentos de maior público de toda a virada. Furtos de celulares à parte, um show que só o cruzamento entre a São João e Ipiranga pôde conceder.
A Balada Silenciosa foi coisa pra paulistano ver. A idéia foi tão interessante que todos foram conferir. Pra quem tava zappeando, só restou a imaginação de quais sons faziam a pista.
A Virada das Vampiras foi outra surpresa de público. Os ingressos acabaram e não deu pra ver o filme das 2h, cuja bilheteria ficou sem os tickets de entrada uma hora antes!
Os quadrinhos criados, desenhados, pintados e artefinalizados "num aquário", ao vivo e à cores foi hipnotizante. Com viagens desnecessáras contra o talento assustador de diferentes roteiristas. Destaque para o A4 de Laerte. Simples, puro. Detonou.
Mutantes já no palco, e a correria para ouvir que eles continuam meio desligados. Não só isso, mas completamente alucinados e poderosos. Se a idéia de velhice não alterou os dedilhados dos Stones em Copacapana, aparentemente também não influenciaram os loucos daqui. Não consegui ver quem era a vocalista da vez, que não foi nem um pouco original e seguiu a cartilha sem surpresas. Mas o restante da trupe, visivelmente alucinados de alegria, estava criativa e transendental. Muito mais que o público, por sinal. Algumas músicas não eram familiares, pelo que percebi, novas. Terminaram com mantra raivoso, tropicalista e quase epilético contra as pessoas da sala de jantar. Merecido. Foram responsáveis pela música-chave da Virada, que encheu muitos olhos: a Balada do Louco. Eles insistem em serem felizes.
Novamente a sala com Vampiras lotou e perdemos as garotas das 4h.
Sambas, pessoas dormindo com mendigos e dividindo cobertores de papelão, pessoas fantasiadas, darks estranhando tanto movimento, policiais cansados e procurando formas de se manterem
acordados. O clima das 5h era frio, mas o público insitia em perambular pelas ruas. Um exército de zumbis involuntários procurava o melhor caminho para a próxima atração. Alguns desses faziam trajetos com o dedo num guia de bolso, outros preferiam ficar horas encarando uns totens gigantes, tentando entender o mapa ou a programação.
Depois de uma pizza individual por 3 reais (que jurava ser R$ 2,50 minutos antes), enfrentamos as Vampiras. A indicação era do Carlão, cujo blógue está aí do lado há anos. E superou as expectativas, de novo. Alucarda é o entontro de Carrie com Exorcista. Por mais que o conforto da cadeira roubasse alguns momentos de cochilo, o drama da garota num convento bizarro e sua amizade com Alucarda, é um deleite visual.
Sua sinópse revela muito: They gave their souls to Hell... but the Devil wanted MORE! Para rever.
Temendo a luz do sol, saímos à procura de mais sons. Na presença de outros seres estranhos, Quasímodo fazia com que alguns perdidos bêbados pulassem empolgados no Baile do Arouche.
Na sequência, no palco principal, uma multidão esperava o Teatro Mágico. Trupe circense. Músicas que todos na platéia, majoritariamente crianças, cantavam com emoção. Um show de imagens, articulações, sons e efeitos. Mas música fica em segundo plano, e as poesias tratam do amor de duas pessoas como arroz e feijão.
Já tonto, procurei uma padaria prum café, que foi encontrada no Copan. Logo Malu Magalhães entrou no palco das meninas, em frente onde saboreava um folhado.
Indiezinha, a aposta do myspace foi simpática. Sem controle nenhum da situação (foi instruida diversas vezes pelo namorado vanguardista durante a apresentação, mudava de tom, ritmo e melodia sem propósito). Renato, que me acompanhou na Virada, estranhou o repertório folk norte-americano, um tanto deslocado com o restante das atrações.
Depois de experimentar o famoso sanduíche de mortadela do Mercadão, sobrou apenas alguns acordes de uns índios que se expressavam na porta do Mercado Municipal. Mas, depois de 20 horas de natação em som e imagens, não entendia mais o que acontecia.
No final eram só pernas doloridas e a cabeça fervendo de idéias.
segunda-feira, março 31, 2008
como alguém pode perder um mouse?
A resposta não está numa música do Calyspo (ao menos não no meu caso).
A Banda Calypso, aliás, tem se mostrado cada vez mais divertida. Baixei pela curiosidade, mas mostrou uma criatividade imensa. Não tem como ficar de mal (nem de mau) humor com as palavras de Joelma - praticamente uma Madonna tupiniquim.
Ainda na música, uma matéria da ilustrada sobre o axé music me deixou saudoso da Daniela. Seria o fim dos tempos?
Fora dos ouvidos, sei que meus escritos, ao menos nesse blógue estão raros. Não que a poeira tenha baixado. Muito pelo contrário, minha casa é só pó: buracos cortando o chão, novos quadros nas paredes, novas madeiras para colocar gibis e livros.
Livros que finalmente tô lendo.
Ler, isso quando não estou matando uns jedis do mau - ou seriam siths? - no melhor jogo dos últimos tempos.
E isso lembrou que, sobre cinema, queria muito escrever sobre Jogos do Poder, uma daquelas surpresas muito boas. Tinha esperança de convencer mais alguém pra ver o filme. Uma direção de arte fodona, uma história inusitada e refrescante. Falando agora, deu até vontade de ver de novo. Se bem que nessas alturas já deve ter saído de cartaz, e se pá, estar até no dvd.
Fora isso, o trampo que escorre pelas mãos, com cada dia uma bizarriçe (que nem é com cêçedilha, mas que fica ainda mais bizarra com a minhoca no "cê").
Num dia que começa o frio (pela ironia do destino, como diria Alanis na música definida como o hino da Lei de Murphy, logo quando conquistei um ar condicionado), me lembrei que muito do que acontece aqui está em algum lugar registrado. E nesse vídeo empolgado, sigo com minha pregação pró-twitter, esse "novo" brinquedo que rouba as páginas dos meus dias - e que desta vez inspirou links, em vez de matar a palavra inicial.
Ps: Post completamente influênciado por esse livro do Mario Prata, sujeito de crônicas viciantes. Valeu pelo presente, Cláudia! :)