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quarta-feira, maio 07, 2008

Virada Cultural 2008


Virada Cultural 2008, originally uploaded by Daniella Gomes.

A determinação espacial na definição cultural é a chave para criar a complexidade de referências e profundidade de sensibilidades.
De sábado, 26, à domingo, 27, aconteceu uma das maiores manifestações culturais simultâneas da paróquia.
Não foram só varios shows montados para vender ingresso e bebidas a preços exorbitantes (sem entrar no mérito de ser um evento organizado pela prefeitura em ano eleitoral).
Foi um mergulho. E diferente de entrar num tonel de água ou tinta, materiais que sabemos o que vai acontecer ao meter a cara, não tinha como prever como seria passar essas horas no centro de São Paulo.
Os shows eram mais previsíveis. E funcionaram com uma precisão invejável.
Mundo Livre S/A e Vanguard foram esquentas. Distantes, nada marcante. Talvez pelo palco, pelo horário ou empolgação.
Disso prum gigante que empolgou e comoveu. Gal gritou, pulou, e deixou o clima super caseiro. Mestre, a seleção musical foi cantada com gosto de quero mais. Costa causou tumulto e teve um dos momentos de maior público de toda a virada. Furtos de celulares à parte, um show que só o cruzamento entre a São João e Ipiranga pôde conceder.
A Balada Silenciosa foi coisa pra paulistano ver. A idéia foi tão interessante que todos foram conferir. Pra quem tava zappeando, só restou a imaginação de quais sons faziam a pista.
A Virada das Vampiras foi outra surpresa de público. Os ingressos acabaram e não deu pra ver o filme das 2h, cuja bilheteria ficou sem os tickets de entrada uma hora antes!
Os quadrinhos criados, desenhados, pintados e artefinalizados "num aquário", ao vivo e à cores foi hipnotizante. Com viagens desnecessáras contra o talento assustador de diferentes roteiristas. Destaque para o A4 de Laerte. Simples, puro. Detonou.
Mutantes já no palco, e a correria para ouvir que eles continuam meio desligados. Não só isso, mas completamente alucinados e poderosos. Se a idéia de velhice não alterou os dedilhados dos Stones em Copacapana, aparentemente também não influenciaram os loucos daqui. Não consegui ver quem era a vocalista da vez, que não foi nem um pouco original e seguiu a cartilha sem surpresas. Mas o restante da trupe, visivelmente alucinados de alegria, estava criativa e transendental. Muito mais que o público, por sinal. Algumas músicas não eram familiares, pelo que percebi, novas. Terminaram com mantra raivoso, tropicalista e quase epilético contra as pessoas da sala de jantar. Merecido. Foram responsáveis pela música-chave da Virada, que encheu muitos olhos: a Balada do Louco. Eles insistem em serem felizes.
Novamente a sala com Vampiras lotou e perdemos as garotas das 4h.
Sambas, pessoas dormindo com mendigos e dividindo cobertores de papelão, pessoas fantasiadas, darks estranhando tanto movimento, policiais cansados e procurando formas de se manterem
acordados. O clima das 5h era frio, mas o público insitia em perambular pelas ruas. Um exército de zumbis involuntários procurava o melhor caminho para a próxima atração. Alguns desses faziam trajetos com o dedo num guia de bolso, outros preferiam ficar horas encarando uns totens gigantes, tentando entender o mapa ou a programação.
Depois de uma pizza individual por 3 reais (que jurava ser R$ 2,50 minutos antes), enfrentamos as Vampiras. A indicação era do Carlão, cujo blógue está aí do lado há anos. E superou as expectativas, de novo. Alucarda é o entontro de Carrie com Exorcista. Por mais que o conforto da cadeira roubasse alguns momentos de cochilo, o drama da garota num convento bizarro e sua amizade com Alucarda, é um deleite visual.
Sua sinópse revela muito: They gave their souls to Hell... but the Devil wanted MORE! Para rever.
Temendo a luz do sol, saímos à procura de mais sons. Na presença de outros seres estranhos, Quasímodo fazia com que alguns perdidos bêbados pulassem empolgados no Baile do Arouche.
Na sequência, no palco principal, uma multidão esperava o Teatro Mágico. Trupe circense. Músicas que todos na platéia, majoritariamente crianças, cantavam com emoção. Um show de imagens, articulações, sons e efeitos. Mas música fica em segundo plano, e as poesias tratam do amor de duas pessoas como arroz e feijão.
Já tonto, procurei uma padaria prum café, que foi encontrada no Copan. Logo Malu Magalhães entrou no palco das meninas, em frente onde saboreava um folhado.
Indiezinha, a aposta do myspace foi simpática. Sem controle nenhum da situação (foi instruida diversas vezes pelo namorado vanguardista durante a apresentação, mudava de tom, ritmo e melodia sem propósito). Renato, que me acompanhou na Virada, estranhou o repertório folk norte-americano, um tanto deslocado com o restante das atrações.
Depois de experimentar o famoso sanduíche de mortadela do Mercadão, sobrou apenas alguns acordes de uns índios que se expressavam na porta do Mercado Municipal. Mas, depois de 20 horas de natação em som e imagens, não entendia mais o que acontecia.
No final eram só pernas doloridas e a cabeça fervendo de idéias.

quarta-feira, março 05, 2008

V de Vingança


Ou, como diria Steeeela: T de TAM TAM (onomatopéia: o som das algemas fechando).
Não entendeu? Aqui tem meu drama completo.
A notícia completa está
aqui.

quarta-feira, julho 11, 2007

a tam roubou meu tim


Há 3 semanas não atendo meu telefone. Não por elitismo, por selecionar chamadas ou por revolta ao sistema.
Inicialmente por falta de memória (esqueci o carregador em casa) e alteração na duração da minha última viagem (3 vezes extendida). Alguns dias sem o aparelho não fariam diferença, ainda mais quando estava a aproveitar Sampa para pesquisar novos territórios e distanciar de velhas raizes.
No trajeto de volta, enfrentei o som e fúria do, ainda em voga, apagão áereo. Ao chegar no aeroporto, vi filas, choros, confusões e cenas que já previa; coisa de filme de catástrofe. A média era de 2 horas de atraso para os vôos, sendo que ainda era manhã: tudo indicava que o chá de cadeira seria quente e amargo.
A fila do check-in andou mais rápido que o esperado, e logo fui atendido por um rapaz de feições japonesas e nome impronunciável. De fala rápida e agilidade impressionante, conferiu a documentação e nos garantiu o passe de entrada à aeronave. Perguntou sobre malas a serem despachadas, e logo respondi:
-Nenhuma. Tenho apenas uma mochila, sempre levo na mão.
Como, de fato, sempre levei. Aquela não foi minha primeira viagem aérea, e julguei que as proporções da mala seriam as permitidas (se bem que em outras ocasiões já entrei à bordo com quase meia dúzia de sacolas e apetrechos que ultrapassavam quaisquer limites e tamanhos e nunca fui barrado ou questionado sobre tais pertences).
O atendente nem olhou minha bagagem, e respondeu "mas a mochila tem que ser pesada, pois existe um máximo de cinco quilos por passageiro". Um outro funcionário logo colocou a bendita na balança, e verificou que o peso estava acima do permitido (duzentas gramas acima do dobro, para ser exato).
Rápidos e competentes, encheram de lacres seus zíperes. Rapidamente, despacharam a mala, terminaram os procedimentos de embarque e começaram a chamar o próximo cliente.
Nesta hora não me importei com o aparelho celular, que estava sem carga, inutilizável.
Apesar de todas as expectativas de atraso, o vôo estava com previsão de sair de Congonhas no horário certo. Tanto que nem consegui comer um café-da-manhã improvisado da Casa do Pão de Queijo: tive que sair correndo pelos corredores do aeroporto com o panine e mate na mão, para não ser o motivo de mais um atraso.
Viagem tranqüila num vôo lotado, com direito a cachorro-quente e Xingu. Aterrisamos, peguei a mochila na esteira e fui pra casa.
Minha primeira curiosidade ao chegar lá era carregar a bateria do celular e verificar as ligações perdidas e contatos pendentes. Abri o compartimento onde o aparelho estava, enfiei a mão com toda fé, e ... nada! Restavam os cabos e fones de ouvido guardados pelo ziper. O celular não. Revirei a mochila, na esperança de estar noutro bolso. Nada.

Liguei pro 0800 da companhia aérea: "o senhor tem que fazer a reclamação no balcão do check-out ou através do telefone tal". Por óbvio, o telefone tal não tinha resposta. O jeito era voltar ao aeroporto (o que em Curitiba não é logo alí na esquina).
Fui. Lá dentro, convenci o guardinha que cuidava do pessoal do desembarque de que eu não era um terrorista, e ele me deixou entrar e conversar com as moças do balcão.
-Ah, mas não podemos abrir um protocolo interno, afinal o senhor já saiu do saguão de desembarque. Além disso só abrimos esse protocolo quando a mala estiver com lacre violado e o senhor abrir a mala na nossa frente e se algum bem estiver desaparecido. SE acontecer isso, nós pesamos a mala, e SE tiver uma diferença de 1 quilo, nós abrimos um protocolo interno de investigação.
- Um quilo?!? Que tipo de celular pesa isso?!? - Exclamei, indignado.
Não tive resposta a essa pergunta, apenas um silêncio constrangedor. Insisti na abertura do tal protocolo interno, mas as normas da empresa eram outras. Pedi pela supervisora, que desceu até o check-out, e foi inútil para a resolução do problema; informou que caso passageiro despache algum produto eletrônico ou jóias, deve avisar a companhia aérea na hora do check-in, e deve pagar uma taxa no valor de 10% do valor do bem (!!!), como uma forma de "seguro".
Em suma: se tu despachar uma mala com "pertences valiosos", esses serão roubados. Esse é o pressuposto: inevitavelmente, alguém da empresa ou dos aeroportos vai passar a mão no tel celular, câmera digital, lap top, brincos e anéis. Serás um sortudo se isso não acontecer. E para verificar o crime, deverá abrir a mala assim que desembarcar: no meio do aeroporto, na frente de todo mundo, e na presença de um atendente da companhia. Só se, ainda por cima, o objeto roubado tiver mais de um quilo.
Durante essa conversa, a supervisora insistiu na idéia de que não eram regras únicas de seu empregador: assim ditava a legislação da ANAC, e que, em caso de dúvidas, poderia reportar-me diretamente no guiché da Agência Nacional da Aviação Civil. Eu fui. Um rapaz calmo e atencioso nos atendeu, ofereceu café e confirmou as palavras da atendente e supervisora. Mostrou o texto da lei, e reafirmou que "casos como esse são frequentes".
Esse drama é bem Seinfeld, que inclusive tem um episódio similar: ele suspeita que o cara da lavanderia roubou alguns dólares de uma calça que lavara. Ao questionar sobre o sumido, o atendente mostra uma placa com os dizeres "não nos responsabilizamos por bens deixados dentro dos bolsos das roupas". E Seinfeld afirma:
-Ah, muito simples. Basta colocar uma placa na parede e poderá fazer o que quizer aqui dentro? Pode roubar, bater, matar. Afinal, tem uma placa na parede com as regras desse seu pequeno território particular, um país com suas próprias leis.

No caso do programa de TV, o protagonista não tinha certeza do furto, e fez nada. Mas aqui, sei bem o que aconteceu. Roubo. E por mais que existam algumas regrinhas internas ou escritos de uma Agência Reguladora, nada impede que o crime tenha sido de fato consumado, e que o meliante continua à solta, apropriando-se de bens alheios, e o pior de tudo: com o respaldo e proteção de um companhia áerea e de regrinhas lavo-minha-mão.
Saindo dos escritórios da ANAC, fui até o posto da Polícia, fazer um Boletim de Ocorrência. Não pude: não tinha ninguém na salinha da Polìcia no Afonso Pena.
Passados dois dias, depois de duas viagens à Delegacia de Furtos (na primeira vez estava sem o número de série do brinquedinho roubado), consegui o B.O., e informei minha operadora de celular tudo o que passei. Ficaram de analisar o caso e em 5 dias úteis responder sobre o caso. Para minha surpresa, e de todos que conheço, 2 dias depois, chegou no escritório (plano empresarial) um celular igual ao que foi roubado, novinho, na caixa.
Ufa!
Ontem chegou o chip e voltei a atender o meu número habitual.
A minha briga com a operadora foi amenizada (já perdi alguns dias no telefone por causa de valores indevidos em faturas antigas, celulares incluídos no nosso pacote sem autorização, e cortes do serviço em pleno sábado à noite).

O drama do celular merecia um post exclusivo. Além disso, a novela não chegou ao fim. Apesar de ter um celular doado pela TIM, ainda tem alguém na TAM praticando crimes em outros passageiros. E eles deveram responder judicialmente pela prática de seus funcionários. E com promessa de briga pelas pequenas causas por aí, fim.