quinta-feira, novembro 03, 2011

um mundo sem graça ou a dullização do cinema


Não sei se o Cinema morreu, se a arte não está em seu melhor momento ou se a vanguarda está perdida. Sei que a comédia está em maus lençóis. Ainda mais se considerarmos o Star System envolvido em filmes tão fracos.

A Cameron é o grande chamariz de Bad Teacher. Mas não está só. Vários outras celebs aparecem na fita. Mas não adianta. As duas horas de filme não convencem. Falar palavrão ou mostrar cenas “chocantes” não é engraçado. Aliás, espere-se muito mais que palavras “sujas” numa comédia rated R.

E Jason Bateman fez parte da coisa mais engraçada da última década. Mas isso não impediu que outra "grande" comedia encabeçada por ele e mais meio Hollywood, de Kevin Spacey à Donald Sutherland, acabasse desinteressante. Mas é aquela coisa: o trailer conta as piadas e o resto parece ser uma encheção de linguiça. É lento. E acha graça em palavras “sujas” ou situações sexuais inusitadas. Enfim, mais um desperdício. Horrible Bosses merece o adjetivo do título.
Um que rendeu risadas foi Se Beber Não Case. Mas recebi a “contraindicação” de não assistir a continuação. Pelo jeito nem as sequências estão se salvando da maresia sem sal dos últimos filmes.

ps: e faz quase um ano que perdemos Leslie Nielsen. :(

sábado, abril 16, 2011

Morrer e viver na blogsfera, parte 2


O blog não morreu. Quixotando é um deleite visual. Porque cinema é imagem. Imagens grandes. Não às imagens pornográficas de propaganda, aos photoshops vagabundos, às imagens feitas para celular, pequenas, distorcidas e sem vida. Um trabalho vigoroso de pesquisa e reflexão.

Outros parceiros também continuam vivos. A eterna imaginária mudou tudo na vida, mas seu blog ainda está no mesmo endereço. Já a colorida mudou seu CEP, mas continua com seu conhecido link. E ambas com atualizações ótimas. Quem voltou nos últimos dias foi Emerson Abreu. Para ter noção de sua originalidade, é dele a imagem aí de baixo; a/o cegonha em seu traço exemplifica sua genialidade.

Tirei de vez de meu Blogroll o Chavez com "Z", uma das maiores pequenas perdas da blogsfera. E caiu também o ícone de atalho pro espaço da Gabi e o do Rafa na MTV. Bizarro não ter na minha lista o Blog do Rafa; além de uma das fontes de inspiração para o surgimento deste espaço, era minha maior fonte de cliques.

Existem muitas teorias para esse êxodo cibernético. É fato que o tumblr rouba horas, dias, finais de semana. Mas o que mais incomoda nele é a falta de conteúdo próprio. As coisas mais “impróprias”, ou não originais, nestes meus Dias são as imagens. Se tirar o texto, ficam apenas alguns frames dignos de um tumblr. Mas perderia minhas únicas produções exclusivas ou originais. As letras que demoro tanto para publicar. Os parágrafos que esperam meses para sair. As idéias que dão outro sentido às imagens. Um sentido André. Uma interpretação dos fatos e atos.

Nos últimos instantes antes de publicar esta postagem, uma novidade chegou por e-mail. Enquanto muitos elos desaparecem e autores destes arcaicos espaços de publicação na internet migram para a rede social mais próxima, surge um blog de palavras em chamas. Mesmo com foco em palavras, Flor do Fogo tem imagens intensamente e igualmente interessantes. E mais uma vez prova que o Blog não morreu. Está vivendo e ressurgindo, queimando e permitindo nossas singelas e honestas publicações neste universo chamado Internet.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Esmagando preceitos


Billy Corgan apresentou um Smashing atual.
E sua abóbora está mais amassada que nunca; jogada, distorcida, suja e estranha.
Lembra um tanto nosso Mutantes. Enquanto banda, após a saída de membros, mudou de rumo e perseguiu o progressivo, experimental. E o Smashing atual é Billy questionando rock, experimentando, flertando com o eletrônico e com o progressivo, com músicas de 15 minutos com poucas palavras e muita ação.
Enquanto o Smashing ‘90 apresentavam baladas, canções com músicas de fazer o público inteiro cantar junto, o que ele(s) quer(em) agora é extrair o máximo de um acorde tocado em uma guitarra estourada refletindo seu som pelo parque.

E nesse caminho existem diversas perguntas que merecem ser jogadas ao ar, sem a mínima necessidade de respostas:
Se uma música, enquanto obra de arte, é criada, até que ponto ela está pronta? Cada execução de uma canção é uma interpretação? Pode parar tudo e mandar a porra funcionar se está com problemas técnicos? Se um artista deve levar em consideração onde está para sua performance? Deve alterar seu show e pensamento para saciar os desejos de milhares de pessoas que esperam para cantar aquele hit de 15 anos atrás? Ele realmente acha que Manu Chao é grande por aqui ou fez piada porque ouviu uma música no caminho do PlayCenter? Ou pior, achou que a cara de quem não entendeu nada do show é cara de quem curte o Clandestino?
Talvez por isso a decepção em diversos reviews, tuites e comentários, pessoas que saíram antes do final. As pessoas esperavam isso:

Em outro ponto de São Paulo, como apontado pelo Rafa Losso, Lou Reed fez algo semelhante, ao mesmo tempo diferente. Reed não continuou com o Velvet Underground para reler cada música já composta pela banda, dando uma nova visão às composições já eternizadas. Ele partiu solo.
(o que não impediu que pessoas não esperassem apenas hits e saíssem desencantadas do show)

Em suma, na arte não existe o não pode. Existe apenas o feito. E Smashing mostrou aos freaks do Terra que a ideia não é cantar junto, nem repetir o passado. E pouco importa o tempo. Resta a essência, a música, a experiência. Pouco importa se ela é Pumpkin, Corgan ou Reed.

ps: Mike Byrne, o novo baterista da banda, tem 20 (!) anos. Praticamente nasceu depois da banda existir!

sexta-feira, junho 11, 2010

Perdeu, mané!


Lost perdeu a graça muito antes de acabar.
Lost criou personagens cativantes e carismáticos: Rousseau, Desmond, Hurley, Vincent, Penelope. Outros cheios de mistérios e ódio: Os Outros, Sayid, Benjamin Linus, The DHARMA Initiative. Teve cenas interessantes, conceitos instigantes e provocantes.
Seu maior mérito foi criar mistérios. E, o pior defeito, explicá-los.
Temos o Lostzilla como exemplo.
O que atacou o piloto no primeiro episódio? Era um monstro? Seria uma máquina? "Sistema de proteção"? As dúvidas faziam a imaginação rolar solto. Salas de chats lotadas enquanto páginas e páginas de fóruns refletiam sobre. Mas aí eles responderam: era uma fumaça negra.

Virou piada: “fumacinha preta”, “nuvenzinha do mal” e até “pum do Locke”. Jogaram a oportunidade de criar um dos melhores vilões da televisão no ar. Literalmente.
Mesmo assim, a série foi um dos assuntos desse começo de século. Mas acabou mal: tentando se explicar. Na última temporada, poucas cenas são relevantes; grande parte dos capítulos focaram-se nos tais dos "flashsideways", que nada acrescentaram sobre a trama. Episódios completamente desnecessários.
No final, temos uma série ignorante em lidar com suas criações. Personagens que mudavam de personalidades a cada episódio. Lições de moral. E um fim mais próximo do gospel que a Rede Vida poderia se orgulhar.

A audiência concorda com essa decepção: "The End" foi pior que a média da primeira temporada, e até Alf – o E.Teimoso teve uma Series Finale de maior impacto (também, foi uma série que não mudava a personalidade do simpático extraterrestre a cada flashback. :P)

Ps: Publicar qualquer coisa sobre a série meses depois de seu fim parece tão anacrônico quanto comentar o fim de uma novela ruim da Globo, tipo aquelas da seis, uma semana depois de sair do ar.

quinta-feira, maio 13, 2010

Alice no Submundo


Em certo momento do filme, um personagem vira pro outro e fala:
-Cachorros acreditam em qualquer coisa.
Esse comentário não é só pertinente ao animal que acaba de acreditar numa mentira contada, mas também a toda a história que nos é apresentada, sendo nós meros caninos sentados na frente da tela.
Essa mentira, porém, deve ser elaborada, caso contrário não acreditaremos no discurso e as palavras viram motivo de chacota ou, em muitos casos, vergonha alheia.
E ser bem contada não é ter uma "boa equipe", ter "bons” efeitos ou um visual alucinante. O buraco, inclusive o qual a protagonista cai, é mais embaixo.
Somar todos os elementos e fazer com este mundo fique, de fato, maravilhoso, é uma proeza de poucos criadores e de poucas obras; fazer com que entramos nos medos, nas alfinetadas, na fumaça e na garoa, é ainda mais impressionante - e aqui não falo do 3D.

A piada da crença dos cães é um exemplo dos diversos níveis de Alice. Não é de subtramas ou interpretações, mas de como o filme retrata extremo terror de forma lírica e poética. Para a tirania, um comentário sobre comer os filhos de um dos súditos é engraçado, com o humor negro estourando aos olhos. E que Burton é um dos cineastas mais visuais de nosso tempo, aqui não resta dúvida. A tecnologia digital é sem vergonha, experimental e extremante bem definida em efeitos deformativos do corpo e face. O Chapeleiro Maluco tem seus olhos esbugalhados, mas isso não destoa resto do rosto de Johnny Depp, potencializando os devaneios mentais de seu personagem.

A vilã rouba a cena. Helena Bohan Carter é hilária e assustadora em cada aparição. Desde os tiques, passando por sua corte e seu castelo. Um deleite visual cheio de gags cômicas, de pequenas piadas e críticas escondidas a cada frame.
Aliás, Burton consegue uma liberdade com os atores fantástica. E isso permite que seu universo fique ainda mais livre para as investidas e tentativas de seus parceiros de longas datas e projetos.
Uma pena que a trilha de Danny Elfman estivesse baixa demais. A música tema, colocada com os créditos, é uma de suas melhores composições até o momento.

Não é de se estranhar que Tim Burton esteja encabeçando Cannes 2010. O festival tem como premissa encontrar o cinema de autor, e Tim Burton consegue como poucos fazer um filme seu, mesmo sendo o filme do verão, cujas arestas não são apenas cortadas e sim com o corpo inteiro já pré-determinado.
Todos os Tim Burtons são filmes distintos; por mais que reconhecemos temas recorrentes, citações entre as películas e areias das mesmas praias, cada um tem sua individualidade e, ao mesmo tempo, carregam não apenas características, mas sim a essência de seu diretor. E Alice é um belo exemplo dessa capacidade e potencialidade.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

duas de 2009, ou, nunca é tarde para o que é bom

Como o ano ainda não começou (Carnaval não passou), ainda é tempo para as listas de final/começo de ano. Essas foram duas bandas/músicas de 2009 que escutarei em 2010.

Fol Chen, com The Longer U Wait

Descobri Fol Chen entre quando procurava sons novos para minha primeira discotecagem no Wonka. Dezenas de bandas, centenas de músicas e milhões de conceitos ouvi nas semanas que antecederam a estréia na pista. Selecionar aquelas que chamavam atenção já nos primeiros acordes foi bem mais difícil que imaginava. Mas esse instant hit ficou na minha cabeça. E apesar de ter escolhido uma centena de músicas para aquela noite, essa foi a única que voltei a cantar com empolgação e com a certeza de ter a missão de toca-la pelo menos mais uma vez, em qualquer outra possibilidade de soltar som por aí. Enfim, ainda não conheci todo o trabalho dos caras, mas ao ouvir versão original fiquei impressionado. Também cruzei com a bombada Cabe TV, e a igualmente interessante No Wedding Cake.

My First Earthquake, com Cool in the Cool Way

Também apareceu na minha vida quando pescava sons pra Fantástica Fábrica de Djs, projeto do Wonka Bar. Existe todo um subgênero que tenta chamar atenção no meio de litros de novas bandas com nomes bonitinhos, estranhos, extremamente longos ou, no mínimo, curiosos. Independente da originalidade ou da infâmia de alguns casos, My First Earthquake ficou na cabeça por mesclar várias dessas possibilidades nominais. E a música, por motivos óbvios, porque não sou cool nem aqui nem na China! Enquanto que essa por sí só garantiu que essa faixa fosse selecionada para ser tocada nos porões do Bar, minha surpresa foi que na expectativa de gravar um último CD minutos antes de sair de casa para de fato para aquela balada, selecionei outra música da mesma banda, o que duplicou minhas atenções para as garinpagens seguintes. Assumo que não fui muito com a cara do clipe da segunda música Let them eat cake, she says... e sua incompatibilidade com a pista de dança colocou algumas dúvidas sobre a empolgação com eles. Mesmo assim, My First... me faz escrever sobre a banda engraçadinha que consegue ir além do nome e, quiçá, além do ano de sua estréia.

domingo, outubro 04, 2009

morrer e viver na blosfera


Idéias se perderam. Acontecimentos dignos de notas ficaram sem palavras. Alguns pensamentos viraram apenas 140 caracteres.
E enquanto mais uma primavera chegou, roubo essa imagem de um dos poucos blógues que ainda mantinha atualizações impressionantes, mas que acabou de anunciar “recesso por tempo indeterminado”.
Durante esse domingo, pequenas organizações rolam no meu desktop e uma visita a esse espaço de publicação me lembrou de projetos que merecem textos, imagens, reflexões.
Enfim, que sejam apenas férias, Quixotando!

sábado, fevereiro 28, 2009

declarando o reino da alegria


Se no ano passado deparei-me com uma cidade que mudou todos os meus paradigmas sobre Carnaval, esse ano cumpri a promessa de voltar para lá com o máximo de pessoas que conseguisse.
Com xtelinha, juntamos 23 pessoas e fundamos oficialmente o Reino mais sorridente do planeta.
Aquele que canta em desespero para que Barbosa não corra, que dança a trajetória da pescaria do namorado da Maricota, que chama Ets para festa, que declara com Juca Teles palavras de amor, que enfia o pé na cova e que desce no Baco, Baco, Baco!
São Luiz do Paraitinga é uma cidade de 10mil habitantes que teve, em 2008, mais de 150mil visitantes nos dias de Carnaval.
Morando durante esse feriado numa casa próximo do centro, todas as primeiras impressões ficaram ainda mais evidentes.
Não há motivos para estresse no paraíso: na falta de água, corre-se para a cachoeira; na falta de som, puxa um violão; na fila do banheiro, conversas e xibocas; na espera do almoço, um bloco; no cansaço, qualquer canto é cama de mola.
Longe de qualquer aparelho que precisasse de eletricidade, perto apenas do trio elétrico.
Num clima Novos Baianos, formou-se de grupo de desconhecidos um Reino Unido. Apesar de ainda estranhos, a companhia dessas pessoas era esperada e querida.
Mais outros tantos foram fisgados pela inocência, cores, vida e simplicidade de SLP. E que venham os próximos!
Para + fotos, vídeos e reservas de casa para ano que vem (!): site oficial e um outro qualquer.